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dezembro 2018

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ELIO GASPARI: De Manchinha@auau para Todo Mundo

Categorias Campinas

O segurança do Carrefour acabou com minha vida de cachorro, mas vocês devem pensar mais nos bípedes

Amigos,

Estou aqui com o “Juquinha”, ele era o cachorro do Sérgio Cabral, gostava da casa de Mangaratiba, mas morria de medo quando era posto no helicóptero do governo do Rio. “Juquinha” veio para cá em 2015, antes que seu poderoso dono fosse para a cadeia.

Eu era um cachorro de rua, vivia em Osasco e comia o que me davam num supermercado Carrefour. Um bípede me atacou com uma barra e acabei morrendo quando me levaram para uma unidade de atendimento de bichos. A empresa culpa os agentes da prefeitura e eles culpam o segurança. Não me meto, pois isso é briga de gente grande.

Em nome dos animais agradeço comovido a solidariedade que recebi. Milhares de pessoas manifestaram-se, a polícia abriu inquérito, o Ministério Público está investigando o caso e a Secretaria da Segurança lastimou a minha morte. O Carrefour informou que “repudia qualquer tipo de maus-tratos contra animais”. Cão que ladra não morde. E vocês?

O Juquinha ouvia todas as conversas de Sérgio Cabral. Ele dizia que as favelas do Rio eram fábricas de marginais, era aplaudido, eleito e reeleito. Conselho de cachorro: direcionem melhor suas indignações.

Faz tempo, os seguranças de um supermercado Carrefour do Rio entregaram a bandidos de Cidade de Deus duas senhoras flagradas roubando protetores solares. Elas foram espancadas até que uma
patrulha da PM as salvou.

Naquele episódio o Carrefour divulgou uma primeira nota informando que afastou os seguranças e abriu uma sindicância. Só. Repúdio, nem pensar. (Qualquer cão sabia que empresas recorriam a milicianos associados a bandidos para proteger seus negócios. Deu no que deu.)

Vira e mexe, vocês leem que agentes da segurança pública entraram em bairros de pessoas pobres, confrontaram-se com bandidos e mataram “suspeitos”. Nossa inteligência canina não entende o que seria um “suspeito”. De quê? Em casos extremos, dois “suspeitos” de portar armas foram abatidos. Um carregava uma furadeira e o outro, um guarda-chuva.

Cachorro não vive de atacar cachorro. Sou um vira-lata e convivi bem com os outros quadrúpedes. Nós somos amigos dos bípedes e o mundo viu o “Sully” deitado junto ao caixão do George Bush, pai.
Vocês é que atacam os outros.

Reclamem sempre que um bicho for maltratado, mas eu o “Juquinha” sugerimos que cuidem também dos bípedes. Saudações caninas.

Manchinha

Publicada no Jornal Folha de São Paulo ( 9/12/18)

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